O Pais das Gasosas






Em pleno século XXI e no Ano de 2005 acreditar em coisas difíceis da compreensão é sem duvida um desafio que tenho apreciado nos meus últimos 5 anos de trabalho. Após a experiência tão boa e tão ruim do Brasil, encontro-me hoje e já decorrida uma semana em Angola. Indescritível….

Só agora começo a assimilar esta cultura e a situar-me geograficamente, pelo que começo só agora a contar-vos esta minha experiência

Após 8 horas de voo vindo de Lisboa, acordo sobrevoando Luanda, cidade capital. Os meus olhos apenas enxergam o amarelo avermelhado da terra coberta de pequenos casebres, até aí nada demais pois essa visão já a conhecia, e conhece quem nesta data esteve no Brasil. A visão aérea é portanto um tanto idêntica.

Já em terra e após passar as burocracias alfandegárias, apanho a minha bagagem e encaminho-me para o tapete verde. Eis que me deparo com um homem vasculhando as minhas coisas, e pedindo os comprovativos da bagagem e por entre dentes me pedindo Dólar. Verde nestas andanças e apenas com o trocado de vinte dólares, lá teve que ser, a nota desapareceu e a dificuldade passou a outro ponto. A recepção dos malogrados viajantes que saem do aeroporto é saudada por um amontoado de gente que oferece os seus serviços de carregamento um tanto ou quanto duvidoso. Porque o pagamento pode vir a ser a própria bagagem. Entre a multidão ouço um grito que me faz lembrar o tempo de exército, encontro então o meu salvador acompanhado de um angolano.
- HEI! FERREIRA, POR AQUI… e vira-se para outro fulano que entretanto tentava agarrar minha bagagem. Oh pá deixa isso, ele está connosco… que é queres?! Ó Inácio leva a bagagem dele…. Por aqui… e assim meio que aos tombos e sem me aperceber no buraco que tinha caído me dei conta que estava dentro do carro, a salvo de uma selva desconhecida…. Esperamos ainda dentro do parque do Aeroporto, uma meia hora, apenas porque o raio da cancela não funcionava com o cartão que um vigia tentava sem muito bem perceber o que se passava e sem qualquer instrução do que fazer para se livrar da dita tarefa… e portanto o melhor é desaparecer deixando todos aos berros. Até que chega alguém que se lembra de pedir a outro carro para emprestar o bilhete de saída… este funciona e passamos todos evitando o intervalo para que a cancela não volta-se a fechar. Só depois refleti e pude perceber que o problema deve-se com o tempo após pagamento. E que certamente o desgraçado que estava na nossa frente o tinha excedido.
Percorremos uma série de ruas e avenidas carregadas de lixo urbano misturado com mulheres e homens que tentam vender de tudo e a todos… chegamos a casa apenas com o tempo necessário de pousar as malas e sou informado da necessidade de ir a Viana á fabrica.

Bem;meus amigos a saída para Viana é uma das artérias que certamente Quentin Tarantino ainda não descobriu. Ao longo dessa artéria existem várias feiras, simples mercados populares onde se pode comprar quase tudo. O trânsito é infernal a abordagem dos vendedores é uma coisa só vista. Passamos umas duas horas para fazer cerca de 5 km e não chovia…pois essa época começa já no próximo mês. Nela há candongueiros, roboteiros, Kinglas, Zungueiros e... sabe-se lá mais o quê. Vende-se fruta, legumes, electrodomésticos, utensílios para a casa, refrigerantes, leite, latas de conserva, iogurtes, sacas de água, tudo aquilo que a sua mente poder imaginar ou talvez não.
Juntamente com as montanhas de lixo
e carros desmantelados vêem-se crianças aparentemente felizes a banhar-se nos charcos de água parada , O quadro é bárbaro.


Luanda

Comentários

  1. Se lá tivesse estado, talvez fizesse um poema de uma terra ressequida, precisando urgentemente de água...

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  2. Viva Ferreira! Eu que aqui estou já lá vão dois anos, posso confirmar tudo o que aqui foi dito... Angola é tão rica em petroleo e diamantes, como em lixo e falta de civilização... mas está a melhorar... groing up! não percebi, estás por cá?!?2009?

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